Com o bico seco, não consegue mais cantar.
Sem alimento, das sementes do eucalipto
não consegue se alimentar.
Órfão de pai e mãe, não vê motivo para cantar.
Pobre sabiá não sabia, que lá em casa,
eu não cansava de mostrar
A todos que me visitavam, o casal, agora troféu,
que eu mandei empalhar.
Talvez para uma nova vida, hoje, menino de seis anos
me fez acordar.
Olhou bem nos meus olhos, em poucas palavras
deu sua aula sem sequer titubear.
Tio, por que fez isso?
Você acha bonita essa maldade sem par?
Tirou a vida dos bichos, homem não tem direito,
só Deus pode tirar.
Agora eles estão aí, penas sem brilho, olhos sem luz.
E nunca mais vão cantar
Lá fora o pobre filho voando sem destino,
seu canto não quer mais entoar.
Prometo para você menino,
não haverá descanso em minha vida
até ouvir o sabiá cantar.
Cantar como cantava antes nos meus tempos de piá.
Isso se ele me perdoar.
Olhei para a janela, levei um susto ao ver,
que o bichinho estava a escutar.
Antes que eu abrisse a boca,
ele engoliu seco, bateu asas e começou a cantar.
Logo, mais uma lição: homem nenhum se compara
à natureza no ofício de perdoar.
No canto calmo e sereno música e letra comecei a captar.
Perguntei com a voz trêmula se havia tempo
para ao princípio retornar.
Entendendo letra por letra do novo amigo, sabiá passou a ensinar. A mudança, no coração começa, se você acreditar. Pois neste mundo, meu amigo, sempre há tempo para o homem, para o menino e também para o sabiá... inha terra tem eucaliptos onde não mais canta o sabiá, desde o dia que aqui vim morar. Sabiá sem água, não pode cantar.
Alex Dahlke....
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