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Boas-Novas




Ela tem o frescor dos ares de maio
Ela é filha dos raios
Trovão no chão a se manifestar
Ele tem a palavra que incendeia

O andar que tudo clareia ao seu redor
Ela traz o poder da ingenuidade
Poder que opera milagres
E faz um mundo novo se inventar


Ele traz a loucura sã da coragem
E na camisa a mensagem que vem gritar:

Paz ao mundo inteiro!!
Essa é a minha guerra!!
Que Deus e Alá hão de abençoar

Enquanto fome houver, 
prosperidade não há sequer
Enquanto a ganância reinar, 
escravo o homem será
Mas boas-novas ainda virão no ar

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Reconvexo

Eu sou o vento que lança a areia do Saara Sobre os automóveis de Roma Eu sou a sereia que dança A destemida Iara Água e folha da Amazônia Eu sou a sombra da voz da matriarca da Roma Negra Você não me pega Você nem chega a me ver Meu som te cega, careta, quem é você? Que não sentiu o suingue de Henri Salvador Que não seguiu o Olodum balançando o Pelô E que não riu com a risada de Andy Warhol Que não, que não e nem disse que não Eu sou um preto norte-americano forte Com um brinco de ouro na orelha Eu sou a flor da primeira música A mais velha A mais nova espada e seu corte Sou o cheiro dos livros desesperados Sou Gitá Gogóia Seu olho me olha mas não me pode alcançar Não tenho escolha, careta, vou descartar Quem não rezou a novena de Dona Canô Quem não seguiu o mendigo Joãozinho Beija-Flor Quem não amou a elegância sutil de Bobô Quem não é Recôncavo e nem pode ser reconvexo  Caetano Veloso