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Nevoeiro

Tenho em mim como uma bruma
Que nada é nem contém 

A saudade de coisa nenhuma, 

O desejo de qualquer bem. 

Sou envolvido por ela 

Como por um nevoeiro 

E vejo luzir a última estrela 

Por cima da ponta do meu cinzeiro. 

Fumei a vida. Que incerto 

Tudo quanto vi ou li! 

E todo o mundo é um grande livro aberto 

Que em ignorada língua me sorri. 



Fernando Pessoa

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Reconvexo

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