Pular para o conteúdo principal

Coração sem Imagens




Deito fora as imagens. 
Sem ti, para que me servem 
as imagens? 

Preciso habituar-me 
a substituir-te 
pelo vento, 
que está em qualquer parte 
e cuja direcção 
é igualmente passageira 
e verídica. 

Preciso habituar-me ao eco dos teus passos 
numa casa deserta, 
ao trémulo vigor de todos os teus gestos 
invisíveis, 
à canção que tu cantas e que mais ninguém ouve 
a não ser eu. 

Serei feliz sem as imagens. 
As imagens não dão 
felicidade a ninguém. 

Era mais difícil perder-te, 
e, no entanto, perdi-te. 

Era mais difícil inventar-te, 
e eu te inventei. 

Posso passar sem as imagens 
assim como posso 
passar sem ti. 

E hei-de ser feliz ainda que 
isso não seja ser feliz.
 
Raul de Carvalho


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

OPOSITORES TOMAM CONTROLE DE CAMPOS PETROLÍFEROS NA LÍBIA Relatos de moradores da região leste da Líbia indicam que os opositores já tomaram o controle de importantes terminais de produção de petróleo no país, o que pode ameaçar o fluxo de fornecimento a diversos países e elevar a cotação do produto internacionalmente. As informações chegam horas após o ditador Muammar Gaddafi afirmar que as revoltas podem interromper o fornecimento do combustível ao exterior. Inicialmente havia relatos de que os rebeldes pretendiam manter o ritmo das exportações de petróleo, embora o "Guardian" indique que os opositores já estejam interrompendo a produção em determinados locais. O diário britânico cita o engenheiro mecânico Moustafa Raba'a, que trabalha com a indústria petrolífera Sirte, afirmando que "todos os poços de petróleo da região sul" da Líbia já estão em controle dos rebeldes

Reconvexo

Eu sou o vento que lança a areia do Saara Sobre os automóveis de Roma Eu sou a sereia que dança A destemida Iara Água e folha da Amazônia Eu sou a sombra da voz da matriarca da Roma Negra Você não me pega Você nem chega a me ver Meu som te cega, careta, quem é você? Que não sentiu o suingue de Henri Salvador Que não seguiu o Olodum balançando o Pelô E que não riu com a risada de Andy Warhol Que não, que não e nem disse que não Eu sou um preto norte-americano forte Com um brinco de ouro na orelha Eu sou a flor da primeira música A mais velha A mais nova espada e seu corte Sou o cheiro dos livros desesperados Sou Gitá Gogóia Seu olho me olha mas não me pode alcançar Não tenho escolha, careta, vou descartar Quem não rezou a novena de Dona Canô Quem não seguiu o mendigo Joãozinho Beija-Flor Quem não amou a elegância sutil de Bobô Quem não é Recôncavo e nem pode ser reconvexo  Caetano Veloso